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Novo organograma do PCC mostra "sintonias" e dimensão da facção; veja
30 de Julho 2026
Reprodução

Um novo organograma do PCC (Primeiro Comando da Capital) elaborado por anos pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) revela a estrutura geral da facção, mostrando suas "sintonias" e a dimensão da organização criminosa que está espelhada em 28 países.

Investigadores afirmam que o PCC passou por uma "mutação" ao longo dos anos, saindo do sistema prisional e se organizando como uma verdadeira empresa, com movimentações no mercado formal, participação de advogados e infiltração no poder público. São mais de 40 mil integrantes em todo o Brasil.

De acordo com o organograma, a facção está dividida em nove principais células que possuem diversos subgrupos, evidenciando a influência em todo o território paulista, com destaque para a capital e a Baixada Santista, assim como em todo o país e no exterior.

Veja algumas das principais divisões:

Sintonia Final Geral: "cúpula" do PCC", em que Marcola, líder máximo da facção, compõe o grupo com seus homens de confiança. É onde são tomadas as principais decisões da organização, para o Brasil e para o exterior, que orientam as outras sintonias;
Sintonia Restrita: divisão de elite da facção e braço direito da Sintonia Final Geral. Responsável pela execução dos planos de atentado contra autoridades, como Roberto Medina e Lincoln Gakiya;
Sintonia dos Gravatas: composta por advogados que, a partir da prerrogativa de sigilo, transmitem informações de faccionados presos para integrantes em liberdade. Dividida em "Resumo Jurídico", "Gestorias" e "Quadro dos Advogados da Facção";
Sintonia dos Países: coordena a expansão do PCC pelo mundo, conectando a facção com organizações criminosas internacionais como a 'Ndragheta, na Itália, onde já está estabelecido;
Sintonia do Sistema: responsável pela imposição e controle da facção no sistema prisional. Setores de "disciplina" e "financeiro" atuam na ordem e no tráfico nas penitenciárias;
Setor Financeiro: uma das células mais extensas, comanda a organização financeira do PCC, como os conhecidos esquemas de lavagem de dinheiro e infiltração em setores públicos (ônibus), assim como o crescimento da facção por meio dos lucros ilícitos (Progresso e Padaria).
A expansão internacional, a infiltração no poder público e a sofisticação das táticas financeiras são as maiores preocupações das autoridades para frear o crescimento da facção.

Investigações já revelaram nos últimos anos a utilização do setor de combustíveis para a lavagem de dinheiro, o elo de integrantes do PCC com agentes das polícias Civil e Militar paulistas, e a relação com grandes grupos criminosos do exterior.

Além da influência na Europa, principalmente na Itália e em Portugal, já existem informações de movimentação financeira da facção nos Estados Unidos, também importando fuzis do país por meio do Paraguai - conhecida porta de entrada no Brasil do tráfico de armas e drogas da facção por ser uma região de Tríplice Fronteira.

PCC é uma máfia
O PCC (Primeiro Comando da Capital) já é considerado uma máfia internacional e está estabelecido em diversos países europeus. É o que aponta Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.

"O PCC tem todas as caraterísticas de uma máfia, já venho defendendo isso há anos no Brasil. O PCC já está estabelecido nos países europeus e já tem uma sintonia na Europa, na Itália, trabalhando batizados como "irmãos'", afirmou Gakiya à CNN Brasil, que é o maior investigador da facção criminosa do país.

Para o promotor, o Comando Vermelho também se enquadra como máfia, justamente pela atuação internacional, táticas financeiras e a infiltração no poder público.

Gakiya explicou, após um evento que reuniu diversas autoridades brasileiras e italianas na última semana em São Paulo, que a facção replica na Europa a mesma organização interna executada no Brasil, o que revela uma "realidade de permanência no continente europeu".

"90% da cocaína enviada para a Europa por vias marítimas está ligada ao PCC. Tem pesquisas que mostram que 33% do território nacional está dominado por organizações criminosas", informou. Com informações da CNN.

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