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Ministros do STF cobram resposta mais dura do TSE sobre urnas
22 de Julho 2026
Raul Spinassé

Declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionando a confiabilidade das urnas eletrônicas geraram desconforto entre ministros do Supremo Tribunal Federal, que classificam o episódio como sério e cobram um posicionamento mais incisivo do Tribunal Superior Eleitoral.

Apesar da preocupação, magistrados da Corte fazem ressalvas: consideram que a situação guarda diferenças em relação ao caso que resultou na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diferenças de contexto
Segundo o Globo, ministros ouvidos apontam que o alcance e as circunstâncias das falas de Flávio Bolsonaro não se equiparam ao processo que envolveu o ex-presidente. Ainda assim, entendem que dúvidas lançadas sobre o sistema eletrônico de votação não podem ser tratadas com leveza pela Justiça Eleitoral.

Para esses integrantes, a resposta dada até o momento pelo TSE não seria suficiente diante da gravidade do episódio. A avaliação é de que a instituição precisa reafirmar de maneira explícita sua confiança na segurança do processo eleitoral, especialmente às vésperas da campanha.

Precedentes orientam decisão
A jurisprudência recente do TSE tem como referência o caso do ex-deputado estadual Fernando Francischini, que teve o mandato cassado em 2021 por espalhar informações inverídicas sobre as urnas eletrônicas durante o segundo turno das eleições de 2018. Esse entendimento passou a nortear decisões da Justiça Eleitoral em casos semelhantes.

Em 2023, a mesma linha fundamentou a inelegibilidade de Jair Bolsonaro por oito anos, quando o TSE considerou que o então presidente incorreu em abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao apresentar, em julho de 2022, acusações sem comprovação sobre o sistema eleitoral a embaixadores estrangeiros.

Diante desse histórico, uma parcela de ministros do TSE já associa o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro ao precedente Francischini.

A análise final, no entanto, ainda dependerá da avaliação de fatores como o contexto da declaração, sua repercussão pública e possíveis efeitos sobre a confiança no processo eleitoral brasileiro. Com informações de O Antagonista.

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