Visando reduzir o descarte irregular de resíduos, a Prefeitura do Recife prevê o pagamento de R$ 0,05 por quilo de entulhos da construção civil e materiais volumosos
Nesta sexta-feira (13), no bairro do Arruda, o prefeito do Recife, João Campos, divulgou uma nova iniciativa para fortalecer a política de limpeza urbana e reduzir o descarte irregular de resíduos na cidade. A ação começa pela Ecoestação do Arruda, localizada na Rua Farias Neves, 954/1002, e faz parte do programa Recife Limpa + Valor, com previsão de expansão para outras ecoestações da cidade. A partir de agora, trabalhadores de coleta alternativa poderão entregar resíduos da construção civil e materiais volumosos no local e receber pagamento pelo volume transportado, desde que o transporte seja realizado sem o uso de veículos de tração animal.
“A gente já tem um serviço de limpeza de metralha na cidade, destinando para o lugar correto. Então a gente gasta 30 milhões com a coleta e 20 milhões com o destino final da metralha, e agora também vamos comprar do autônomo. Às vezes você pode fazer pequenas reformas em casa e acaba fazendo o descarte da metralha de maneira irregular, em beiras de canal, em calçadas e em terrenos abandonados. Agora a prefeitura vai comprar essa metralha, fazendo o pagamento na hora”, disse o prefeito João Campos.
O prefeito João Campos reforçou que veículos de tração animal não serão aceitos na entrega dos materiais, tendo em vista a proibição na cidade. “Lembrando que a gente não vai aceitar veículo de tração animal, tendo em vista a proibição na cidade, nem de empresas, porque é voltado para pessoas autônomas que trabalhem para garantir isso, como os catadores. A gente começa hoje aqui no Arruda e vai levar para mais cinco pontos da cidade”, explicou.
Os materiais entregues serão pesados no momento da chegada e os trabalhadores receberão R$ 0,05 por quilo de resíduos, com pagamento realizado por PIX. O objetivo é criar uma alternativa regular para a destinação desses materiais, evitando que entulho e objetos volumosos sejam descartados de forma irregular em ruas, canais, rios e áreas públicas.
“Na época de chuva, aumentam os alagamentos por conta desse tipo de material, além de gerar infestação de ratos, baratas e insetos. Nós vamos criar o PIX do resíduo da construção civil. Como forma de estímulo, a gente vai pagar para quem trouxer esse resíduo de construção aqui na Ecoestação do Arruda. É importante lembrar que o seu resíduo, se você não cuidar dele, ele vai parar em um lugar irregular e isso impacta toda a cidade”, destacou o vice-prefeito e secretário de Infraestrutura do Recife, Victor Marques.
Para participar do programa, os trabalhadores de coleta alternativa deverão realizar cadastro prévio no local, apresentando documento de identificação, CPF e inscrição ativa no CadÚnico, além de registrar uma chave PIX vinculada ao CPF para recebimento do pagamento. Após o cadastro, os trabalhadores passam a entregar os resíduos nas ecoestações, onde o material é pesado e registrado no sistema.
O diretor de Limpeza Urbana, José Mario, explica que os resíduos não precisam ser entregues necessariamente por catadores, mas não poderão ser remunerados em casos de transporte por veículos motorizados ou de tração animal. “Se a pessoa estiver fazendo uma reforma, ela pode trazer esse material para cá. Mas, para receber, não pode carro ou caminhão. Aqui o resíduo vai ser recebido e descartado da maneira correta”, contou.
A operação contará com infraestrutura de controle e monitoramento, incluindo balança, sistema de cadastro e acompanhamento das entregas. Todo o material recebido será encaminhado para destinação ambientalmente adequada dentro do Sistema de Limpeza Urbana do Recife.
Um dos catadores de recicláveis cadastrados no programa é Pedro José Maurício Barbosa da Silva, que conta estar bastante animado com a ideia de conseguir vender os resíduos em um ponto fixo e arrecadar renda. “A prefeitura fez uma proposta boa para nós e eu achei ótimo. Vamos progredir e vai ficar 100%. Com essa balança nova a gente vai poder trazer metralha, trazer sofá, cama, tudo que tiver na rua a gente vai trazer para ganhar um trocadinho. Agora vamos botar a bola no pé e chutar para o gol”, comemorou.
Com a medida, a Prefeitura busca organizar o fluxo de resíduos que hoje muitas vezes circula de forma informal na cidade, reduzir pontos críticos de descarte irregular e fortalecer a política de limpeza urbana com inclusão socioeconômica dos trabalhadores envolvidos nessa atividade.

